23.3.13

PIRAEUS CULTURAL COAST | 1ST HONOURABLE MENTION


A proposta da ASVS Arquitectos Associados para o Museu de Antiguidades Subaquáticas e Masterplan da Costa Cultural de Piréus (Grécia), foi distinguida com Menção Honrosa pelo comité de jurados do concurso internacional de ideias. 

O edifício, um Farol para a Cultura 
Ao analisarmos cuidadosamente o local de intervenção percebemos que pela sua escala, verticalidade e localização, o edifício do antigo silo de cereais assume-se como a principal referência geográfica desta área do porto Piraeus. A sua torre e implantação ao longo do eixo longitudinal da península, que constitui a principal zona de intervenção, faz dele a grande porta de entrada no porto, o cartão de visitas aos passageiros que chegam a Atenas em paquetes provenientes de todo o mediterrâneo. O mote para o desenvolvimento do projecto nasce exactamente desta ideia de boas-vindas, do elemento que pontua a chegada, a luz que orienta e indica que a poucas milhas há terra firme, à semelhança de um farol, dos grandes faróis da antiguidade que alimentaram algumas das mais belas mitologias mediterrânicas. O Museu de Antiguidades Submarinas, doravante MoUA, faz renascer o antigo silo transformando-o num farol para a cultura. Os cereais dão lugar aos mais preciosos tesouros submarinos, a massa compacta de betão transforma-se numa grande lâmpada que anuncia a chegada ao berço da civilização ocidental. 

A península, memória de um passado industrial 
Observando uma imagem satélite do tecido urbano que envolve a área de intervenção, notamos que as malhas ortogonais que desenham Piraeus e Drapetsona parecem desaguar na península que alberga o MoUA. A geometria racional e resoluta das ruas e quarteirões transforma-se num drapeado orgânico ao encontrar-se com a avenida que separa a cidade do porto (Akti Ietionia). Ao aproximarmos a imagem, centrando-nos na área de intervenção, verificamos que esse desenho orgânico é reforçado por uma série de micro linhas desenhadas no pavimento pela circulação de camiões, pela orientação dos contentores de carga e das coberturas dos grandes armazéns que se prevê transformar. É a partir dessa matriz industrial, gravada no pavimento ao longo de mais de um século, que nasce o desenho da proposta que apresentamos. Os trilhos marcados pelas rodas dos camiões transformam-se em percursos pedonais, cursos de água e campos de flores; a avenida que divide a península transforma-se numa grande alameda que serve os novos equipamentos; os contentores de carga dão lugar a outros que agora abrigam cafés, esplanadas, bares e lojas; os antigos parques de estacionamento adquirem contornos de praças e pracetas e a grande mancha verde definida pelo parque de Drapestona e pela área arqueológica dilui-se em todos esses novos pavimentos, à semelhança do que acontece ao desenho cartesiano da cidade que a envolve. Nasce um novo parque, nascem pequenos jardins e pracetas, nascem grandes espaços de assembleia que convidam o cidadão à cultura, que não esquecem a memória industrial do lugar e se materializam a partir do desenho deixado pelo tempo.

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